Lucas Braga

Lucas (São Gotardo, 1988) é artista visual. Estuda Artes Visuais na UFMG.

A partir de uma nota feita ao ouvir Clóvis de Barros Filho, cito uma boa descrição para esse trem:

O mundo é grande e a percepção é um recorte. E aí a gente vai recortando o mundo a cada segundo. A cada segundo o mundo se apresenta numa janela, numa imagem. Como ninguém está no lugar onde nós estamos, o mundo acaba ficando um para cada um porque num certo instante ninguém vê a mesma coisa que o outro. Quando você lê isso, o mundo é de um jeito para você; enquanto que para mim foi outro. Como ter certeza que estamos no mesmo mundo se cada um vê, sente e percebe um mundo diferente? A cada segundo eu percebo o meu mundo e não tenho nenhuma expectativa que percebam o mesmo mundo que eu. Mas o mundo tem tiranos que fazem questão que todos concordem com ele e que exigem que todos vejamos a mesma coisa do mesmo jeito e da mesma perspectiva. E assim, de tirano em tirano, as guerras. Guerras por perspectiva, guerras por percepção. O que vemos, na verdade, conta muito mais de nós do que do mundo. Tudo o que percebo do mundo, percebo em mim. A imagem? A imagem é luz. Luz que reflete um suposto mundo que nunca teremos certeza se existe mesmo. Quando vemos, vamos descobrindo muito a nosso respeito. O mundo, seja ela qual for, acaba sendo o nosso espelho. Cada um de nós percebe o mundo a partir do libido. Oscilando alegrias e tristezas, percebemos o mundo como delírio. Cada pessoa, personagens do delírio, delira na sua ilha afetiva. Ninguém sente o que sentimos e ninguém pensa o que pensamos. Ilhas afetivas, espaços de percepção singular. Filmes assistidos apenas por nós mesmos. E assim vamos. Felizmente máquinas deixam registros; e estas deixam registros delas e do mundo registrado. No mundo, só tenho o instante. De segundo em segundo, os mortais são destruídos e novas vidas acontecem. Nostalgia e esperança.

Amo o presente.

Meu email é lucas [at] lucasbraga.net.

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